Vermicida – Parte I – Ted
Publicação: 17 de junho de 2010
“He told me that I knew just what to laugh at
And I wanted to but I just couldn’t ask if he would take it back so I could know for certain
So on the bench I watched his left hand crossing
While doubling entendres with the voicings
He said “O darling, you’re charming
Please don’t find it alarming if I pull this stop out to free up a hand for heavy petting”
Now there there
I’m a friendly man
I joke about sex because it’s funny when you’re frightened”
(The Dresden Dolls – Lonesome Organist Rapes Page-Turner)
Eu estava mesmo no tédio de vagabundear por aí sem conseguir encontrar um emprego decente… Vocês sabem, essa vida de ex-presidiário não é fácil! Saí da cadeia carregando só vento nos bolsos, um chaveiro no formato de um átomo de hidrogênio, um óculos escuros com a armação quebrada e um pacote de camisinhas vencido. Ainda não entendo por que diabos eles me devolveram aquilo. Assim que pisei na rua, joguei o pacote fora, na direção de um latão revirado.
Lá dentro eu paguei por tudo que tinha feito aqui fora. Mas agüentava calado e procurava não arranjar confusão. Fugia das brigas, me fazia de covarde, era simpático até mesmo com os mais babacas. Sabia muito bem que era alvo de piadas e comentários humilhantes, mas antes ser um retardado vivo do que um abusado morto. E essa consciência eu consegui manter saudável até o final da minha pena, que até que não durou tanto quanto deveria. Uns amigos aqui fora mexeram uns pauzinhos, arranjaram uma grana vinda sei lá de onde, corromperam uns e outros, e em três anos eu estava finalmente de volta ao mundo real. Não que fosse melhor que a cadeia, porque lá dentro eu ainda tinha uns guardas que me protegiam vez ou outra num arranque de compaixão, ou simplesmente pena. Aqui fora era somente eu e minha sombra.
Sabe, eu costumava estuprar menininhas e menininhos. Não tinha esse preconceito que os padres têm, saca? Eles querem comer só os garotos mais novinhos e bonitinhos, com aquele olhar inocente de quem nunca sequer arriou as calças na frente de outra pessoa que não fosse a mãe deles. Eu só queria saber de agarrar a primeira criança idiota que cruzasse meu caminho, arrastar prum beco escuro e fazer o que melhor eu sei fazer, provocar gritos desesperados de uma dor indescritível. Gritos esses que eu abafava com violência, tapando-lhe as bocas escancaradas e fazendo ameaças físicas, por vezes esmagando-lhes o pescoço. Quando terminava e via o sangue escorrendo abundante pelas pernas magrelas, fracas e trementes, sentia-me completo. O choro engolido e o ódio que exalava dos olhos daquelas criaturinhas era tão palpável e ameaçador, que eu juro que poderia senti-lo no ar, quente, denso, cortante, quase me arrancando o pau fora, se pudesse. Era uma adrenalina e uma sensação de poder que não havia igual no mundo. Eu era Deus e o Diabo para aquelas crianças.
— Você era um filho da puta, isso sim! – falou Nicka, com a face um tanto transtornada. – E sabe que não vai sair daqui vivo depois disso, não é? Aliás, como é que ninguém te matou na prisão? Caras como você não sobrevivem muito tempo depois de servir de brinquedinho sexual para os outros prisioneiros…
— Eu tinha contatos, gata, eu tinha contatos… – ele respondeu enquanto ria de maneira debochada. – E vou sair vivo daqui sim, vocês não vão querer se meter com o pessoal que eu passei a andar de uns tempos pra cá…
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Tweets that mention Meccam putechture » Blog Archive » Vermicida – Parte I – Ted -- Topsy.com disse: 17 de junho de 2010
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Alliah, qndo q vc vai continuar esse conto? Me empolguei!
Na verdade, qndo vai ter um livro só seu? Seus contos são bons demais para dividir livro com os outros!
I mean it!